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  • Colégio Santa Rosa

Como inserir a alfabetização tecnológica no ensino da leitura e escrita?



Nunca se ouviu falar tanto de tecnologia na educação como nos últimos anos. Sim, a pandemia do Coronavírus e a necessidade de se manter conectado à distância acelerou essa discussão, mas a verdade é que a alfabetização tecnológica já era um assunto em ascensão antes mesmo das aulas online se tornarem uma realidade.


É que o surgimento de novos dispositivos tecnológicos e a rápida evolução da tecnologia tem obrigado as escolas a repensarem seu currículo de ensino. Em um mundo em que computadores, tablets e celulares fazem parte do dia a dia das pessoas, é impossível ignorá-los na hora de pensar a alfabetização infantil.


Considerar esses dispositivos tanto como ferramentas de aprendizado, quanto objeto de ensino é crucial para a formação desses nativos digitais, que precisam se formar enquanto cidadãos inseridos no mundo tecnológico. Mas, como trazer esse aprendizado sem desconsiderar os ensinamentos tradicionais e fundamentais da leitura e da escrita?


O desafio está em incluir a tecnologia à alfabetização de forma estruturada para que o uso desses recursos não seja só para entretenimento ou, até mesmo, distração dos alunos. Nesse artigo vamos mostrar alguns passos que podem ajudar as escolas nesse sentido!

Alfabetização: fase de ouro

Uma das fases mais importantes da educação de crianças, a alfabetização vai muito além do ensino da decodificação de símbolos para leitura e escrita. Nessa fase, a criança também precisa passar pelo letramento, que é quando adquire a função social da leitura e escrita.

Ou seja, ela consegue não apenas ler e escrever, mas também interpretar, criticar e ressignificar aquele conteúdo, utilizando-o em um contexto social.


A criança letrada consegue identificar e interpretar diferentes gêneros textuais e apontar o mais adequado para cada situação. Por exemplo, ela é capaz de entender que uma lista de supermercado é diferente de uma história que lê no livro, que também é completamente diferente de um bilhete que sua mãe escreve para a professora.


Nesse sentido, a escola precisa trabalhar com as crianças os diferentes formatos de leitura e escrita, o que pode começar com uma “brincadeira de escrever”. A criança pode ser desafiada a fazer um bilhete para os pais ou escrever uma receita culinária, por exemplo.

Letramento digital

Seguindo esse raciocínio de que letramento é quando a criança se apropria da leitura e da escrita em sua função social, é inevitável pensar que existem diferentes aplicações desse conceito. Há pesquisadores que defendem que há diversos tipos de letramento, sendo um deles o letramento digital.


De maneira geral, esse tipo de letramento corresponde ao domínio da leitura e escrita no universo digital, nas suas diferentes mídias. Ou seja, a criança precisa ser ensinada a entender o contexto do ambiente digital, assim como desenvolver as habilidades necessárias para acessar, filtrar, interpretar, criticar e interagir com os textos nessas mídias.


Em seu livro “No mundo da escrita – uma perspectiva psicolingüística”, a autora Mary Kato lembra que a escola tem a função de tornar os sujeitos capazes de usar a linguagem escrita para sua “necessidade individual de crescer cognitivamente para atender às várias demandas de uma sociedade que prestigia esse tipo de linguagem como um dos instrumentos de comunicação”.


Se a nossa sociedade valoriza a comunicação por meio dos dispositivos digitais, então é primordial que as crianças passem por essa alfabetização tecnológica. Se a escola negligencia isso, ela estará contribuindo para a exclusão social dos seus alunos.

A importância da tecnologia na alfabetização

A necessidade de incorporar a tecnologia no processo de alfabetização fica mais claro quando entendemos esse conceito do letramento digital. Mas, na prática, como a tecnologia pode ajudar de fato as crianças nesse processo de aprendizagem?


Além de trazer mais ludicidade para o ensino e despertar a atenção das crianças, os dispositivos e recursos tecnológicos podem ajudar no desenvolvimento de diferentes habilidades. Os jogos digitais, por exemplo, podem estimular a atenção focada, a concentração, o raciocínio lógico, a resolução de problemas e a colaboração.


Alguns deles podem trabalhar, inclusive, a criatividade e o pensamento fora da caixa, pois apresentam fases ou enigmas que exigem essas características. Para usar outras ferramentas tecnológicas como aplicativos, a criança também precisa exercitar a memória e tomar decisões em curtos espaços de tempo.


Mas, não são apenas os jogos e aplicativos que contribuem com o aprendizado. A escrita no computador, por exemplo, pode ajudar a criança a visualizar com mais facilidade o texto e identificar pontos de correção, como palavras escritas juntas ou a troca de uma letra por outra. Já a utilização de plataformas de busca, como o Google, trabalha o pensamento estratégico, a interpretação de informações e a capacidade de filtrar conteúdo relevante.


No seu livro “O Ingresso na Escrita e nas Culturas do Escrito”, a psicolinguista Emilia Ferreiro cita algumas contribuições das tecnologias para o ensino, como a oferta de uma grande diversidade de textos; a autonomia concedida aos alunos com a utilização de ferramentas como o corretor; e a consolidação da ideia de que nem a escola, nem os professores e nem os livros detêm o domínio da informação.


Ao usar a tecnologia no processo de alfabetização, os professores ganham a posição de mediadores do conhecimento e não provedores e repetidores de informações. Não cabe mais a eles a postura de detentores do poder autoritário: ele deve ser um motivador do aprendizado, que oferece diferentes possibilidades aos alunos.


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